Aromas do Vinho: Uma garrafeira com muitos mundos

19 abril 2022

Entre muralhas, em Valença, há uma loja de bebidas que é também museu e distribuidora. O dono é um comunicador nato, um investigador e escritor, e ainda tem tempo para a solidariedade. Para João Guterres, o dia não tem só 24 horas.


Valença é uma das cidades portuguesas que cresceram dentro de uma fortaleza. Pela localização nas margens do rio Minho, na fronteira, velhas questões com os vizinhos galegos motivaram a construção de um castelo medieval, substituído no século XVII por uma fortaleza mais apta a resistir a tiros de canhão. Passados esses tempos conturbados, a velha fortaleza lá está, cuidada e alindada, a desejar boas-vindas a quem a visite.

É numa rua do velho burgo fortificado que fica a Garrafeira Aromas de Vinho. Abriu as suas portas em finais da década de 1970 e, desde então, o seu dono, João Guterres, não tem parado de inovar, de estudar e de ensinar não só sobre o vinho, mas também sobre a gastronomia regional minhota, sendo autor de três livros: Peixes do Rio Minho ? Receitas com História (ed. Afrontamento, 2020), Gastronomia de Valença (ed. Município de Valença, 2022) e Gastronomia Caminhense, com mais um à espera de ser publicado sobre Paredes de Coura.

Voltando à garrafeira, podemos encontrar cerca de 1200 referências ?entre vinhos e destilados, porque também sou licorista? diz-nos João. Os vinhos tranquilos que mais vende são os da Região dos Vinhos Verdes e por uma razão interessante: ?Uma boa parte dos meus clientes são espanhóis e vêm cá comprar vinho do porto. A pouco e pouco, cativei-os e agora já não dispensam os nossos alvarinhos e loureiros, e um pouco também os trajaduras, as suas castas preferidas.? Por ironia, a sua ?jóia da coroa? é um tinto da casta vinhão, de seu nome Aguião, feito à antiga, em lagar com pisa a pé.

 

Artigo completo da revista Singular, do Jornal Público: https://www.publico.pt/2022/04/10/edicoes-publico/noticia/aromas-vinho-garrafeira-mundos-2000609

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